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"A história de Diamantina tem como seu mais precioso diamante o folclore, que perpetua a cultura e a arte e lega ao futuro a genialidade de seus filhos".

Os registros da "Banda Fogosas do Sapo Sêco" remontam ao princípio do século XX, quando se têm os primeiros dados de sua existência em fotos, relatos e jornais. Era um grupo de folguedos mascarados da família de Elias Sapo Sêcco, que satirizavam fatos da época. Trajavam alegorias artesanalmente elaboradas e máscaras artisticamente confeccionadas por cada um de seus integrantes. Saíam em cortejo pelas ruas, tendo à frente um estandarte com os dizeres "As Fogosas do Sapo Sêco". A partir dessa época foi o mote principal de todos os carnavais diamantinenses - bastava a exclamação "lá vem a banda do Elias Sapo Sêco" e o povo se aglomerava nas ruas para ver a sua passagem.

Ao longo do tempo e já com o epíteto resumido para "Banda do Sapo Sêco", grandes mestres alegóricos como Paulo Soim, Cica Amador, José Lopes, José Ângelo, Chumbinho, Zé Coquinho, João Três Horas, Antônio Boli, dentre tantos, notabilizaram a banda com inesquecíveis alegorias críticas como "Ulha Branca", "Trem de Ferro" e "Posse de JK". Mantiveram-se as tradições satíricas que ironizavam sempre os problemas de Diamantina. Os integrantes não podiam retirar as máscaras em público e os novatos saíam com fantasias de saco de moá, carregando uma gaiola com urubu nas costas. A banda de música tocava com instrumentos antigos e estranhos, usando horríveis máscaras de borracha e tendo, à frente, sempre, um maestro a caráter.

Em 1967, devido a pequenas desavenças na sua saída em frente ao prédio da antiga ECT, a Banda dividiu suas fileiras e renomados "sapo sequistas" se uniram para formar a grandiosa Banda "Peixe Vivo", que manteve uma rivalidade jocosa apresentando alegorias mirabolantes como "o Foguete na Lua", "o Globo da Morte" e "o Circo". É famosa a imagem de Paulo Soim, vestido de palhaço sobre pernas-de-pau de cinco metros de altura acenando, para o público e mostrando a genialidade de seus feitos.

Hoje, a "Banda Fogosas do Sapo Seco", apesar da falta de incentivo econômico, tem disposição ferrenha para jamais deixar fenecer uma das páginas mais belas da jovialidade diamantinense. É necessário remontar às tradições e rememorar a genialidade dos antigos mestres, mantendo sempre o espírito irônico e crítico que tornou a Banda um dos folclores mais marcantes do carnaval diamantinense.

Contribuição: William Spangler e Carlos Adriano (Ratinho)